20070215

º~º~--------

FROM WILLIAM SHAKESPEARE

Já não sou virgem, ui. 
Vi um dos clássicos pela primeira vez e não doeu nem um pouco. 

Assisti hoje (escrevo isto à 1 da manhã mas só agora o posso postar) no Teatro da Trindade a uma interpretação credível, a uma iluminação competente e a uma cenografia depurada ligadas por um elenco de caras muito conhecidas - encabeçadas por João Lagarto como Mac Beth - e com interpretações variáveis: desde o ridículo overacting do Diogo Dória até ao jovem actor brilhante que me escapa o nome (a solo como porteiro do demónio). 

Já se perfila Hamlet (Trindade) e O Cerejal de Tchekov (Comuna) também a veura.

20070213

---..............................

a AnCerq

apaguei-me do HI5 para ver se me olvido daquela outra existência
prometo que não haverá por ali nenhum outro rafa

por Lisboa ainda, mas não para ficar
anda sempre este vosso num constante desassossego,
nunca encontrando poiso como o poeta cantava: Estou bem, onde não estou!
a oferenda não foi esquecida e não esmoreceu a vontade de a aproveitar
falta é tempo, esse maldito sorvedouro de boas permanências

reúne a malta e este se incluirá nela,
apresentando-se prontamente ao convite de há meses

como fecho deste poema 
relembro que podereis seguir os meus passos neste onde escrevo
e deixo um beijo e aquele abraço agora ainda virtuais, cego-cibernéticos
mas a materializar nessa Coimbra 

(bonita sim, mas na hora do reencontro)

Dª*`^)/

ICON

Faço uma busca ao acaso, procurando ícones que preencham esta minha ideia que trago comigo de um determinado projecto... 

Soubera eu que projecto fosse e a ideia tomaria então forma!

-----....,,,,,,

JANELAS SOLITÁRIAS EM LX 

Tenho que fotografar estas janelas soltas de Lisboa
Com velhotas de cara solitária
Sempre dependuradas
Em horas a fio desfiando pessoas que passam
Passantes descrevendo uma contagem decrescente terminável.

Encontro-as em Santa Marta e em Alfama,
Na Graça, Castelo e ainda no Bairro
Entrevejo-as entre roupa secando e plantas em flor impávidas
Por sobre ruas calçadas de milénios
Apertadas entre casas também elas velhas

Tenho que fotografar e guardar estas solitárias tristes

Num portfolio a que chamarei simplesmente de “Solidão”. *

* duma ideia para um trabalho fotográfico

||^^|^|^|

POEMA DO DESASSOSSEGO POR ALGO

Ai,
Como me atingiste com breves e difusas palavras
Das quais não vejo sentido nem alvo
Nem objectivo nem propósito
Apenas um acre sabor de mistério
De promessas de irei saber!

Ai,
E estas vãs tentativas de o pensar
Apenas deixam o significado mais distante
E não perscrutando das opacas palavras
Qualquer pequeno recortado sentido
Entrevendo nem uma pequena diáfana abertura
Por onde adivinhe qual esta ditosa tentação
Brumas enrodilhadas em tão curta mensagem!

Ai,
Terei que esperar que abras esse cofre
Essa desejada e oculta promissão
Com uma chave-de-necessito-saber,
Pois se atiraste a pedra ao rio
E esta ricocheteou três vezes em curiosidade sobre a água!

Ai,
E o mostres, nu e em pleno
Essa ansiada Pedra Filosofal que magicaste aí por Avalon
Santo Graal que busco desde hoje
Em suave frenesim de interesse!

20070211

*********

SIM!

20070202

~\~\~\

MACONHA E BASEADO

explicou-me finalmente um colega brasuca do meu colega de quarto brasuca a diferença entre maconha e baseado : maconha é mari e baseado é porro! Ah, dúvida resistente que deixou de ser permanente!

ç~ç~ç~ç~ç~ç~~~~~

UM COZIDO CURTO, FACHAVOR

entro num café para beber o meu habitual café curto e enquanto espero para ser atendido olho para um dístico afixado com o prato do dia escrito e peço, automaticamente : um cozido curto, fachavôr! 

Subliminar...

\\\\\\\\\\\~~~~~~~~~

O TREJEITO DO GAIJO - O MAU PROFISSIONAL 

palavras de rajada de machinegun metralhada tempestivamente
como detesto os seus chavões
como odeio os seus clichés, leitmotivs, frases feitas
a sua falta de cultura de trabalho e de entrega criativa
enfada-me tal presunçosa pessoa

=)=))))=)=====

O HOMEM DOS TIQUES

Desengonçado avança pelo rossio
Com mil e um tiques a arrastar
Idiossincrasias anedóticas
Meu conhecido daqui, conheço-lhe outro gesto habitual :
Chega-se a mim e crava um cigarro.

d.......(O)

MOBY DICK 

Assisti hoje (portantos, ontem, quinta-feira) à peça MOBY DICK no Teatro Municipal de São Luís, do homónimo conto de Herman Melville. Adorei tudo a partir do momento em que percebi que afinal não estava perante um musical - porque o segmento inicial assustou-me! 

De destacar ainda a sempre genial cenografia de João Mendes Ribeiro.

c---------------....----

A CURA 

Já dizia o Leonardo da Vinci : “senza giorno senza disegnare” ou algo assim. Aproprio-me das suas palavras e altero-as ao meu quotidiano; além de praticar a máxima descrita na citação ajunto-lhe ainda outro apótema meu : nenhum dia sem escrever!

JAM SESSION OF WORDS

Como se fosse a hora do texto pedido, a palavra dada segue o ritmo dos anseios de quem me pede um improviso de letras, um freestyle de frases numa jam session de vocábulos.

Agora segue estoutro tema: A CURA; que, se bem que tenha surgido encadeado numa sequência de dedos à mistura, onde se nomearam mindinhos, indicadores e outros dedões de permeio, merece, por si só, um destaque especial.

Gosto desta desgarrada. Agrada-me este desafio, dedico-o à Sissa, que me apresentou o tema.

Segue a cura. Segue The Cure.

A CURA

1. CURARE

O Curare é uma droga paralisante usada em pequenas doses para relaxamento muscular. O Curare era, a princípio, um veneno paralisante utilizado pelos índios americanos. Utiliza-se como fármaco para relaxamento muscular (por exemplo, no diagnóstico de dores de origens mascaradas por espasmos dos músculos).

Introduzo aqui esta definição sobre a substância “curare” porque acho muito interessante que, ao contrário do que possa dar a entender, estas palavras (cura e curare) cresceram paralelamente e têm - no seu princípio - o mesmo fim: o tratamento paliativo ou curativo.

2. CURA DO INDICADOR

Este doutor receita que se torne sinistra, ou seja, que escreva com a mão esquerda – vulgo, canhota! Ou melhor ainda, ambidestra, para assim alternar entre um e outro indicador, poupando então o referido massacrado dedo da mão direita.

3. A CURA

A cura para muitos males será ter muitos remédios?
Qual a cura deste achaque?
Je suis malade à la tête!Para grandes males, grandes remédios!
Entram os Xamãs com os seus talismãs, ritos, cantos, danças, possessões e vudus. 
Afrodisíacos, elixires, mezinhas, medicamentos, barbitúricos, ansiolíticos, profiláticos, paliativos, anestésicos, anti-depressivos, calmantes, fármacos, antibióticos e laxantes...

Tanta merda, tanta tralha, quando a cura para este mal pode ser um doce beijo?
Ah, e não vos esqueceis do padre cura, é outro tipo de cura no meio desta salada russa.
E, como estou ligeiramente ébrio, caguei, não desenvolvo mais o tema e irei repescá-lo mais tarde...

20070131

~~~~\\\~~~~~~

O QUE DIZ MOLERO

Vi ontem a peça O que diz Molero, no Teatro Nacional DMaria II. Gostei. Não me apetece escrever mais do que isto... Hoje fico pelas mensagens sintéticas e telegráficas. Stop.

Fica o site : http://www.teatro-dmaria.pt

\\~~~~~çç----.........

LIÇÃO DE CHRISTO 

À sari:

Christo é o nome comummente usado para referir uma dupla de artistas formado por Christo e Jeanne-Claude (homem e mulher) imediatamente reconhecidos e identificados por envolverem edifícios e construções com tecidos, telas, etc... como podes ver diversos exemplos na galeria de fotos do site que pus abaixo.

Os artistas repudiam etiquetas e estilos, mas aproximam-se mais da Environmental Art do que da Land Art e não se consideram artistas conceptuais.

Este é o sítio : 

20070130

[] [ ] [  ]

CHAMAREI A ESTE QUARTO : THE FACTORY 

Tomem este como um devaneio de escriba matinal 

(foi escrito pela matina, bem de madrugada)
ainda não desperto pelo suave néctar que o oleia e o faz funcionar:
esse combustível carburante com cafeína que tomo amiúde
e sem o qual, ou melhor, com o qual consigo criar algo levemente aproveitável!
Como Victor Hugo dos Les Miserables, funciono a café!

CHAMAREI A ESTE QUARTO : THE FACTORY

E ao sétimo dia de preparar o novo quarto, parei e disse : vou xonar!

Mas ainda com uma sobra de instinto criativo
Decidi chamar a este quarto the factory
E a sugestão do nome surge porque:
é um manifesto de querer
é uma ideia de um porvir de criatividade
é um desejo de produção contínua como a homónima do Warhol
é um querer torná-lo uma fábrica de rabiscos,
uma indústria de projectos em execução,
de ideias em ebulição,
de ideais em agitação,
de desenhos em efervescência,
de textos por/em catarse desmedida e continuada,
(e por vezes desregulada, mas cadenciada)
de um potente detonador de arte calcada e talvez recalcada
e de torná-lo num coito não interrompido de produção em série de objectos em crescendo de perfeição, vontade e satisfação!

~~~~~Ç^^^^^^^^^~~

CARTA RÁPIDA A UMA CARA METADE 

Este querer é diferente desse gostar
Esta cara quer-te como metade 

e não sente já essa cara como querendo esta como metade

º´º´º´ºººººººººººº

segue agora o já há muito aguardado :

POEMA DO INDICADOR
POEM OF THE INDICATOR




tento digitar termos ternos sobre o nosso indicador
enquanto o pouso sobre a testa a meditar
pressionando suavemente sobre as têmporas
a ver se me extraio algo pelo seu leve massajar

escrevo o título primeiro 
(o sempre mais fácil e arranque do texto) 

o resto vai caindo e escorregando pelos dedos e pelo próprio indicador
transispirando qualidades
enquanto o aponto sobre o monitor
acompanhando as mesmas linhas que agora componho

começo...

o indicador indica
o indicador aponta
o indicador serve de base e coluna para a cabeça,
enquanto medito como “O Pensador” de Rodin
o indicador equilibra a mão, que cairia sem o ter como âncora
o indicador é um de cinco, mas não compreendo em que lugar surge no pódio
o indicador é comprido e imponente
o indicador é nosso e temos que o amar
se nos dói, deixa doer, dói porque nos pertence
se nos incha, deixa inchar, o inchaço faz parte de o ter

(tento acertar, apenas com este dedo, nas teclas deste teclado
enumerando atributos e excelências desta nossa terminação tentacular)

assim se chama indicador ao indicador porque é o que melhor serve na mão
para zurzir quem nos irrita
para acarinhar quem nos excita
para indicar caminhos e atalhos
para fazer de arma e assustar
para acompanhar a dança com o corpo
para desenhar círculos no ar
para descrever o voar dum pássaro ou insecto
para chegar ao inatingível das costas

(o indicamento prossegue recordando parcerias)

com o polegar temos um revólver
faz equipa com o médio e temos um v de vitória - ou um desaforo very british
com o mindinho componho uns cornos
e com todos juntos - mindinho, anelar, médio, indicador e polegar
temos A mão

doei indicações, indiquei andamentos
atribuí-lhe excelências esquecidas
recordei atribuições imediatas
mas muito haveria ainda por dizer
só que tenho que descansar o indicador
pô-lo de molho e aconchegá-lo
afinal, bem preciso dele para me sentir completo
e se cansado estivesse não o teria perfeito como o tenho.

----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Desenho - apontamento de 2003/4?

20070129

9090''=?=?=?=?)=)

HILARIOUS 2 

O que está afixado pelo lado de dentro da porta da casa de banho comunitária da minha república de lx : 

"ballance's law of relativity:
how long a minute is depends on wich side of the bathroom door you're on!"

~\Ç~\

HILARIOUS 1 

nick duma amiga do msn : 

"calorias são pequenos animais que vivem nos roupeiros e que durante a noite apertam a roupa das pessoas."

0'990'85~~~

AH E TAL 

ah, e já me esquecia : abafaditos nas primas do bairro, feira da ladra imperdível no campo de santa clara às terças e sábados e o mercado biológico no príncipe real aos sábados das 8 até às 14h.

º\´º´\º´\º´\º´\º´\º´\

NOOBAI

local onde estar num fim de tarde soalheiro (não solarengo) : noobai, no miradouro de santa catarina, vulgo adamastor.

nota: experimentem a tosta de queijo de cabra acompanhando-a com um sumo de ananás com hortelã. perfecto! e têm também o chá de gengibre.

a visitar sem falta pois precisa urgentemente de ser dinamizado : MNAC, museu nacional de arte contemporânea, museu do chiado

visitar a fabulosa e quase esquizofrénica casa do alentejo na rua das portas de santo antão. átrio neo-árabe encimada por um salão de baile neo-barroco com um palco típico do teatro à italiana com tasca alentejana apensa! salas e salas a discorrer estilos e surpresas! fantástica!

e depois bebam uma ginginha numa das duas casas que a servem deliciosa na rua das portas de santo antão.

20070128

ªªªª```´º´º´º´º´º´º´º´

CATARSE MILIMÉTRICA 

este ideal de vida : 

nunca chegar a um ponto em que já se consegue vislumbrar todo o resto da nossa vida, e imaginar-nos com cinquenta ou sessenta anos e a fazer o mesmo...

será algo como anti-conform society

20070123

º´´º´ºº´º´

MIL FOLHAS 

no suplemento mil folhas do público desta passada sexta saiu uma referência ao Laboratório Chimico da Universidade de Coimbra com texto crítico de Ana Tostões e Jorge Figueira (Ou Bandeirinha - não me recordo, não tenho aqui o documento).

o Lab Chi da Universidade de Coimbra é uma remodelação conjunta do Atelier do Corvo (Carlos Antunes e Désirée Pedro) com João Mendes Ribeiro e que contou com a participação de moi même.

~~~~ÇÇÇÇÇÇÇ

JANELAS SOLITÁRIAS 

tenho que fotografar estas janelas soltas de lisboa
com velhotas de cara solitária sempre dependuradas
horas a fio contando pessoas numa contagem decrescente terminável

\\\´´´´´´´´

NÃO UM POEMA 

às vezes sou um alemão chamado Ruben
filho de pai venezuelano e de mãe alemã
sou uma mescla de nacionalidades e estudo medicina

bipolaridade? heterónimo? pseudónimo? 

não, é só o gajo com quem partilho casa e que usa a minha net from time to time

20070116

~\ç~ç\~\çç~\ç~\~ç\

CATARSE 4 DO 1 

de filmes que tenho visto :

APOCALYPTO, boring!
BODY RICE, razoável, o melhor é o alinhamento musical
BABEL, gostei!

20070108

#$#$$#$#"#""#"#

MANIFESTO LIGAR OS PONTOS 

Ideias há que soam tão belas da primeira vez que são imaginadas, e enquanto quentes na mente onde foram concebidas continuam a parecer belos ideais. Com o tempo algumas esmorecem ou quando materializadas perdem a sua força, empalidece o seu anterior estado místico e idealista. Ao passar a uma folha de papel, e deve-se fazê-lo imediatamente, separa-se o trigo do joio, ou seja, as ideias belas e esplêndidas das idiotas e simplórias, ou ainda, os pensamentos arrebatadores e praticáveis dos acometimentos imaterializáveis.

Esta pareceu-me uma boa ideia. Todos nós ligamos os pontos quando pequenos, é um exercício de destreza necessário. Agora ligamos os pontos entre locais e obras em adultos como forma de nos cultivarmos e crescermos um pouco mais. No entretanto aprendemos. Na tarefa básica de ligar os pontos A e B e outros por linhas desenhadas com hesitação, agora ligam-se A e B e outros C e D por carro e com o objectivo mais sólido de ver, ouvir, tocar, cheirar e saborear - usar os sentidos para percepcionar completamente a arquitectura.

Sou de matéria orgânica, aquela última é realizada por nós, arquitectos e é inorgânica, inerte, mas nem sempre estática e está continuamente em mutação. É importante percepcionar todas essas mudanças impressas sobre a paisagem urbana, acompanhar a gestação dos projectos e o resultado final e contactar sempre com mais obras, cidades e projectistas.

Daí que ‘Ligar os Pontos’ seja uma ideia que vai de encontro à necessidade básica de viajar de um arquitecto em formação permanente. Ligando os pontos de um tema, de uma obra, de um percurso e de um arquitecto, e compilando-os em livro de texto ou de imagens ou de ambos, aprendem-se e traçam-se novos caminhos para a evolução enquanto projectista.

Esta publicação de autor pretende ser mais uma experiência visual do que uma presunção crítica, até porque não me valorizo tanto.

Esta ideia surgiu primeiro em PT, e foi uma das poucas entre muitas que não perdeu nada na materialização. De pensada em PT, a ideia foi dada à luz em BCN e foi finalmente formatado o texto em CBR. Os primeiros nomes perfilados como material para ligar os pontos foram, por esta ordem: Távora, Siza, Souto e Mendes Ribeiro em PT e, numa natural passagem entre qualidade de trabalho e relevância contemporânea: Badia, Coderch e Ferrater, de BCN e Baeza, de MAD.

As restantes figuras portuguesas ficam de molho e serão retratadas e vistas oportunamente. As espanholas perfilam-se desde já e começam após os quatro arquitectos portugueses seleccionados.

Gostaria sobretudo de partilhar múltiplas experiências como a de Távora perante Taliesin, porque aspiro sobretudo a ser arquitecto-artista e a arte é emoção. Aqui quero passar essa emotividade sentida perante a obra visitada e partilhar viagens e pontos de vista pretendidos.

----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Escrito em Barcelona, Janeiro de 2004

~~------------çççç

MANIFESTO PROJECTOS CONCEPTUAIS 

É simplesmente propor sem chão. Sem os condicionamentos ‘castradores’ de pendentes e declives, sem considerar a topografia, ou considerá-la inexistente, rala ou nula – projectar sobre um plano, ou ainda, criar um relevo próprio como é objecto recorrente de diversos ateliers actuais, como os Foreign Office Architects, para citar um dos mais conhecidos. É uma versão pequeno-utópica da proposta virtual, objecto de diversos concursos actuais, em que se pede para propor edifícios situando-os em terrenos imaginários ou em existentes, mas à escolha do projectista.

Nesta ideia o que conta é o cliente (que poderá também ser criado) e as suas expectativas. O resto, seja envolvente e declives, é irrelevante. Cria-se um objecto para preencher um sonho, mas o próprio projecto é um sonho, pois não poderá ser materializado totalmente, não sem as respectivas alterações de adaptação ao terreno.

Numa inversão do processo normal de desenho em que surge a construção após o contacto com o cliente, aqui pode surgir primeiro o projecto e só depois o cliente, podendo este ser imaginado de maneira a ser aquela a habitação que lhe sirva.

_____ _____ _

EXPLORAÇÃO URBANA

Estão lançadas as bases para a formação do grupo de exploração urbana de Coimbra, içadas as bases e reunidas as vontades, faltam alguns detalhes para começar então, verdadeiramente a exploração urbana. Nome do grupo, lista de objectivos urbanos e formatação destes em suporte fixo e manuseável.

Nome: Entre_CBR

Com siglas é mais fácil a identificação. E com o Entre como prefixo, passa a ideia de convite a visitar estes locais, de entrar em Coimbra sob um guia alternativo oposto ao vendido aos turistas de 2 dias: o de uma Coimbra sólida, perene e “limpa”, sempre existente.

Objectivos urbanos em Coimbra: compilar lista dos locais a intervencionar.

Porque se trata de uma intervenção sobre a ruína/ edifício visitado; se bem que fisicamente passiva em oposição aos happenings autênticos em que a intervenção é vista e sentida e em que existe um devassamento físico do espaço envolvente. Ao retratar e capturar em fotos este património intervém-se fugazmente mas o resultado pretende-se eterno: o explorador e a sua experiência violatória são o próprio acontecimento, a intervenção prolonga-se ainda depois nos artefactos recuperados e trazidos à luz do conhecimento, objectos salvos da decrepitude a que foram abandonados e pelas fotografias tiradas e pelos filmes feitos, que se espera tenham um efeito prolongado não só para os exploradores mas para outros!

Formatação dos objectos intervencionados: reunião dos edifícios revisitados

Será sempre o objectivo final a publicação seja sobre a forma de revista, de catálogo, de guia, de livro, CD ROM ou exposição, documentando uma realidade decrépita, antiga e abandonada de uma Coimbra esquecida e passada, mas que importa conhecer e recuperar. Com o extra da diversão e saboroso gosto da intrusão praticada pelo grupo.

A partir de agora o grupo será designado por Entre_CBR e as actividades por exploratórias, intrusivas ou infiltratórias. Lançam-se os alicerces do grupo e o novo avanço espera-se para breve. Brevemente.

20070104

ª`|ª`^^~~~

CATARSE 3 DO 1 

Ontem.
Noite no Bicaense, no Bairro e no Adamastor.
Cerveja, cigarros e charros.
Boa companhia, diversos amigos e amigas.
Uma noite das antigas, portanto.

Mensagem telegráfica a adjectivar uma noite assim: perfeita.

Ah, e depois na volta pela Radial de Benfica muita atenção aos radares flashantes!

~~~~çç~\\\

CATARSE 2 DO 1 

Ainda a merda dos pais natal e para terminar : caiu um ficaram sete, suponho que irão secar e morrer e cair aos poucos que nem folhas secas de uma árvore caduca. Inté...

John Coltrane, Blue Train para acalmar as hostes que estão aqui desvairadas! Traduzco: estes neurónios estão em baixo!

20070103

\\\\\\\\\\\~\\\\\\\

CATARSE 1 DO 1 

Estou zen, que é o mesmo que dizer que estou com a lontra, que estou nos braços de morfeu, que não posso com uma gata pelo rabo ou sei lá... In the meantime ponho a rodar Groove Armada e o seu Goobye Country (Hello Nightclub) com uma minhas faixas preferidas : My Friend enquanto faço horas extraordinárias que serão cobradas a peso de ouro. 

----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Foto - viagem a Constância, algures em 2006

20061220

-.

CATARSE 11 DO 2

Hoje estou em desaceleração para férias, para embarcar já amanhã em ritmo acelerado de trabalho de férias. Bizarro, não? Também assim o encaro. Adiante, que o significativo é que este ritmo ao ralenti tem-me permitido postar mais do que poderia em dias normais e hoje a catarse até é mais dilatada do que habitual.

Assisti ontem por acidente ao filme Lost in Translation, porque o que queria ver realmente era o CSI Nova Iorque em dose dupla como é costume... Esperava pacientemente pelo CSINY, refastelado no sofá, quando apanhei com aquela truculenta série vendida como vida real (Jura) e que coloquei em modo mute enquanto o cigarro viajava entre a mão e a boca, intercaladamente, olhando os gestos das figurinhas na pantalha.

Chegou o filme da Sofia Coppola, lindo de fotografia e envolvente, mas perturbante – bastante para mim neste agora, mas bem menos do que o Virgin Suicides – pelo que é tratado a nível de sentimentos, de traições, de conformismo em relações e de rotinas...

Tenho esta questão que não é de ontem, mas que ontem aflorou novamente e forte, depois de uma série e de um filme onde é tratada de forma tão imediata e tão frontal a rapidez de mudança de parceiros e de deslocalização de paixões...

Serei o último romântico do mundo ao imaginar que existem relações tão puras e tão empáticas que possam durar em perfeição dezenas e dezenas de anos? E será realmente possível algo assim estável, duradouro e sempre fresco?

20061218

Ç~Ç~~ÇÇ~Ç~

MEMÓRIA 3 DO 12 

A FUGA DE WANG FÔ

Assisti no Palco Oriental, ao Beato, convidado, à peça A Fuga de Wang Fô, sobre texto de Marguerite Yourcenar, ideia e representação de Joana Pupo. Achei lindíssima a interpretação baseada na eficiente expressão corporal e facial da actriz e em dois objectos (baús) que se tornavam sucessivamente em casa, corpo morto, paisagem, quadro, quarto, cama e lugar de pensamentos e confidências. Ah, e mala de viagem.

--..............

MEMÓRIA 2 DO 12 

PLUS OU MOINS L'INFINI

A companhia francesa Companhia 111 apresentou uma proposta de novo circo que me surpreendeu imenso; totalmente diferente do que conhecia pelos Cirque du Soleil e dos (talvez) novo circo Mayumana e Fura dels Baus. Estes são puro espectáculo de luz, som e pirotecnia, os primeiros mantêm a ligação umbilical ao circo clássico; já estes franceses são inovadores e tecnologicamente depurados sem perderem a comicidade e a desenvoltura física própria do circo. Fantástico. Voltem. Eu cá os verei outra vez.

..,,

CATARSE 9 DO 12 

No leitor cai e gira The Science of Things dos Bush; rocalhão de que já sentia a falta: tocam riffs de guitarra e agita-se a voz aveludada de Gavin Rossdale. Entretanto, já cheguei a algumas conclusões em relação à minha vida e decidi-me enveredar pelo meu caminho: yellow brick road de eleição pelo meio do emaranhado de caminhos inacessíveis. Caminharei sozinho. Não devia ser sempre assim?

20061216

ç~ç~ç~ç~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

CATARSE 8 DO 12 

Revolução! Clonagem de supetão! Multiplicação milagrosa! Conto agora oito, oito pais natal! A saga continua, conseguir-se-á chegar às duas dezenas antes do 25?

Novo exercício a la Alta Fidelidade, as minhas 5 melhores músicas: 

1 Something in the Way, Nirvana
2 Love Street, The Doors
3 The Unforgiven, Metallica
4 Always With Me, Always With You, Joe Satriani
5 Capitão Romance, Ornatos Violeta

Hoje, no Palco Oriental ao Beato, entra em cena a peça A Fuga de Wang Fô, sobre texto de Marguerite Yourcenar.

20061215

ç~\~\ç

CATARSE 7 DO 12 

Ouço Mezzanine dos Massive. Faço um exercício à Alta Fidelidade - aponto uma (possível) selecção imediata dos meus cinco melhores álbuns de sempre:

1 Mezzanine, Massive Attack
2 The Doors, The Doors
3 Maxinquaye, Tricky
4 Dig Your Own Hole, Chemical Brothers
5 Kind of Blue, Miles Davis

0'0'0'90'

CATARSE 6 DO 12 

Conto já seis pais natal a empreender a eterna subida até ao topo deste prédio à minha frente. Embrulho o meu cigarro de enrolar atando-o com a minha própria saliva com uma dedicação de mãe. Ponho-o na boca travando o fumo dentro de mim. Conforto-me.

20061213

')~

DECÃO

Grande dia de cão:

1 entorse no pé, que pensei que nunca teria na vida e deu para descobrir que a assistência médica aos 700 mil habitantes da área de Amadora-Sintra é uma perfeita merda!

2 duplo furo no carro, que me dá direito a um gasto de pelo menos 400 eurico. Prendinha no sapatinho!

\'+\+\''+\'\+'\+

BLOQUEIA

Bloqueia neste fim de tarde este portátil de merda em que trabalho acerrimamente! Reinicio e coloco a pinchar Special Cases dos Massive! Tenho que sacar Lionel Ritchie e Tenacious D.

Falta-me ver a expo do Gonçalo Byrne, será aquela que está no CCB? Sei que ainda permanece aí a Habitar Portugal... Ainda no edifício do Vittorio Gregotti e Manuel Salgado vou ver hoje o espectáculo de Novo Circo da Companhia 111 : Plus ou Moins L' Infini.

No FDS passado vi as expos na Gulbenkian CAMJAP : 

1 Pedro Cabrita Reis
2 Fernando Calhau
3 Book Cell Project, Matej Krén 
4 Amadeo de Souza Cardoso

1 Falta algo à instalação do Cabrita Reis, será o desligar aparente do espaço envolvente? Já lhe vi instalações bem mais conseguidas e o certo é que a minha preferida continua a ser a instalada no Pátio da Inquisição em Coimbra. 

2 Fantásticos estudos e gráfico-evoluções de FCalhau. O fim é o melhor, com desenhos que se nos aparentam massacrar o papel e são ilusões puras. Pronto, eu gosto sempre de desenhos e de experimentação. Encontrei similaridades com Antoni Tàpies, a nível de simbologia - semiologia. 

3 Surpreende no momento da vertigem. Será um crime literário amarrar e perfurar tantos livros por atacado? 

4 Fui a ver Amadeo - essa máquina de pintar do início do século passado - num domingo. Apanhei com uma avalanche de gente curiosa em tragar arte, o que me contenta; atrapalham-me é a visão sobre os quadros; dão-me encontrões quando quero parar e falam quando pretendo apenas contemplar. Acha, arte gratuita equivale a moles de gente em corropio.

Sobre a expo tenho a dizer que detestei que não existissem informações adicionais sobre os quadros e sobre o percurso do artista; que pelo meio tenham atirado obras de outros artistas - que, embora encontre paralelismo na linguagem e cronologia , atrapalham a escorreita percepção da pesquisa de Amadeo; que não exista um percurso ou percursos de exposição definidos, mas sim um emaranhado de divisórias dispostas ao calha que nem possibilitam criar um próprio caminho e ainda o diminuto espaço de circulação que entope num Domingo como este.

Dr Divago

----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Foto - de Shanghai, Setembro 2011

20061120

879898qqqq

CATARSE [primeira do 11] 

Pus Damien Rice e o seu O a tocar no meu leitor. Tocou e continua a tocar ininterruptamente e a debitar palavras sobre não fiz e deveria ter feito; fiz e não deu em nada; fiz e não serviu de nada... 

Imagens e temas depressivos o suficiente para servirem perfeitamente a este agora...

Damien Rice e o seu O agrada-me agora.
Damien Rice é o cantator que me serve.
Contribuirá ou amansará este estado de dúvida generalizada? Não o sei, mas é certo que a partilha de sentimentos me completa neste agora...

20060914

\º´\º´\º´\

VIAGENS

O que me chateia n’As Viagens de Gulliver “Travels into Several Remote Nations of the World” ou "Gulliver's Travels” é a indefinição ideológica partidária da época caricaturada pelo livro (não tem maniqueísmos bacocos a ilustrar “a” esquerda e “a” direita mas também passa a ideia de que não existem os conceito de humanismo e de bem público) e a condenação do livre pensamento (sendo que este é notoriamente uma opinião muito pessoal do moralista, conservador e clérigo Jonathan Swift).

20060906

(=?()?/=?/)(=/()=/=

CATARSE DE SETEMBRO 2 

Prossigo com o meu jogo de xadrez pela net, quarto lance mandado via email. Então comparsa, quando arremessas a jogada de volta?

Espero pela minha cópia d’A Caverna do nobel Saramago com que uma amiga me decidiu, felizmente, presentear (confesso que, depois de me iniciar em Borges, Saramago aparenta-se-me bem sensaborão!). E se trouxermos à baila ainda Nabokov, Kafka e Poe, Saramago fica bem pequenininho.

O Chapitô deu SIM!!

Chapitolas, chapitolas!!!

Mas... amanhã... haverá o sim definitivo.

`*=?`=?=??==?

CATARSE DE SETEMBRO 1

Como copiosamente umas uvas deliciosas que me trouxeram enquanto trabucava. O calor arrebenta-se-me em cima, intenso e insuportável. Estão para cima de 35º em LX e trabalho sem ar condicionado.

A estação de serviço ao lado de minha casa, que uso para me abastecer simultaneamente de cigarros e de gasolina, são as mais caóticas entre as milhentas que já vi na minha vida.

Prossigo acesa discussão cibernética com um energúmeno inclassificável - sabe-me tão bem açoitá-lo por palavras!

Deixo cair um telemóvel e agarro-me a outro. Ando a coleccionar desejos de viagem e a ler simultaneamente Contos do Nascer da Terra, Trópico de Câncer e Viagens de Gulliver. O primeiro é do mais doce que já li, ao que sempre me habituou o moçambicano Mia Couto. O segundo é inclassificável, cáustico até ao infinito, perturbante e duro tal como o é prolixo nesses atributos o seu autor, Henry Miller. É o livro que mais me custou ler até agora – e anseio algo aparvalhado pelo resto da trilogia autobiográfica. O último já tinha lido e terminarei hoje depois de o ter começado no Domingo – comprei-o na Feira do Livro do Avante, aliás no estaminé da Feira da Ladra do Avante, por uns míseros cinquenta cêntimos.

Volto do Avante com a sensação de ter estado num dos melhores festivais feito em terras portuguesas (conheço-os a todos, com excepção do primeiro, o de Vilar de Mouros). O de Paredes, aonde já fui e já voltei, guardo-o como o outro também excepcional.

Aguardo pelo concerto da Maria João e Mário Lajinha amanhã, no Casino Estoril. Falam-me na estupidez de protocolo do código de vestuário, que espero não ter que obedecer. Afinal, o concerto até é gratuito! E grafa-se lajinha ou laginha? Não acho fidedigna uma pesquisa na Net, que até nem me apetece fazer.

Tenho nova morada, que podem ver aqui: http://humano-s.blogspot.com, onde publiquei uma foto do Google Earth.

O Chapitô, até agora, vai bem de saúde para quem lá quer entrar, e a minha boa amiga, pressagio, vai consegui-lo! A António Arroio é a outra hipótese a não descartar.

Tento impor a regra de conduta da reciclagem no meu atelier, mas seguem inglórias as tentativas. Tento reduzir, aumentam; tento reutilizar, desaparecem os desperdícios; tento reciclar, somem-se as oportunidades. Amanhã prossigo na ideia da minha melhor amiga estacionada em Newcastle-upon-Tyne, a Sissa.

Tenho o poema do Corvo, de Poe, para ler. Finalmente.

Amanhã estreia o novo de Almodóvar; como gosto tanto deste tenho que ver aquele.

Terminaram a Ciudad Judicial de Barcelona y L’Hospitalet de Llobregat, dos B720+Chipperfield. Como gostaria de ver esse mono erecto bem à minha frente.

Estas catarses dão-me de tempos a tempos e sabem-me pela vida – à la ZDQ, gato fedorento. Terei outra daqui a talvez-quando-não-o-sei.

----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Fotografia - Cais do Ginjal, meados de 2006

20060706

º\º´\´\ºº´\~~~~11122

06062006 

mais futebol

Acabei de ver o jogo de Portugal – França. Perdemos mal quando o merecido seria um empate e um prolongamento. Faltou-nos talento para terminar muitas jogadas que levavam selo de golo. O penaltie sobre Henry não existiu, como não existiu falta sobre o Ronaldo na área contrária. De novo se repete a derrota perante o nosso carrasco de serviço: a França, tal como em 84 e tal como em 2000. A arbitragem teve uma falha que não teve uma grande influência no resultado, o que me parece pior foi o anti-jogo praticado pela equipa francesa de travagem no ritmo do encontro, por ter jogado à italiana com defesa em bloco e contra-ataques possíveis e pela demora constante na reposição da bola em jogo. Devia ter existido um amarelo para Barthez por isso.

O melhor deste Mundial foi ter-se apagado a memória boa mas esmagadora do Mundial de 66 e pelo demonstrar das capacidades infinitas da Selecção. Portugal vive muito de fantasmas e é necessário eliminá-los. Fora o sebastianismo bacoco e que acabe o "fado" paralisante.

O terceiro lugar é nosso e daqui a dois e quatro anos se verá.

|ª`^ª^/(&/&%&÷¶[÷[

O POEMA DO MINDINHO 

a uma amiga estacionada em newcastle-upon-tyne, que se questionou uma destas tardes sobre a desconsideração votada ao dedo mindinho

o mindinho é o pequenino amado pelos outros dedos
o mindinho está nas alas da mão mas não está de canto
o mindinho não se pôe de castigo pois a mão não o solta, como mãe extremosa que é
no mindinho também se põem anéis e a sua unha também é manicurada e pintada para o pôr bonito
se algo de mau ocorrer à maternal mão, também o mindinho, como filho e irmão que se preze, sofrerá
o mindinho segura-me a chávena de café por debaixo
o mindinho coça-me o olho e afaga-me a sobrancelha
com o mindinho faço piretes carinhosos e falsos
o mindinho tira-me o cotão do umbigo, a ranhoca do nariz e a nhanha da orelha
em parelha com o polegar, o mindinho forma uns cornos com que presenteamos os nossos inimigos
o mindinho é fundamental para quem toca piano
o mindinho é um coto necessário para os dactilógrafos, estenógrafos e simples escribas de pc
os praticantes de tiro com arco e de setas não negligenciam a importância do seu mindinho
sem o mindinho, a linguagem gestual teria que ser revista
também seguro o cigarro entre o mindinho e o anelar (testei-o agora)
o mindinho é parte necessária do processo de enrolar cigarros e de queimar e esfarelar a pedra para o porro

nos países em guerra da África e Ásia o mindinho das crianças é que limpa as armas
consigo também estalar o mindinho, claro que sem o estrépito claro do médio e do indicador
com o mindinho sossego a comichão que tenho agora na perna
mesmo agora coçava a cabeça com o mindinho, enquanto reflectia noutros atributos deste nosso dedito

a imagem de marca de alguns grunhos portugas é manterem a unha do mindinho enorme, facto sociológico de que não descortino a função - será a tal de limpar de impurezas os pavilhões auditivos?

mesmo o mínimo do pé, primo próximo (direito ou esquerdo) do dedo mindinho e também descurado na sua necessidade óbvia, tem a sua importante função: a do nosso equilíbrio.
também necessitamos do mindinho para fazer o pino, para nadar, para abraçar, para tirar o cabelo maroto de sobre a cara da nossa pessoa amada e também para cumprimentar os conhecidos e amigos, no vulgo "bacalhau"
e não imagino a mão sem o mindinho, como seria termos quatro dedos, somando oito nas duas terminações dos nossos membros superiores? caricato por hábito, não?
de equilíbrio e de estética resulta muito bem o nosso mindinho na nossa mão
como ferramenta de trabalho é indispensável o mindinho
quando tiver um filho chamar-lhe-ei mindinho josé em reverência ao nosso dedo
se fôr menina fica como mindinha
se forem gémeos é mais complicado, mas posso fazer variações: mindinho, mindo, minde, mindocas...

mindinho ao poder, mindinhos de todo o mundo, uni-vos.

proponho a fundação do partido do mindinho e do sindicato dos mindinhos para lutar pelos direitos desta classe de dedos desprezada. a central sindical do mindinho perfila-se já no horizonte e o jornal do mindinho e a revista de periodicidade semanal mindinho serão um acrescento essencial à subida ao justo estrelato de um dedo tão desconsiderado.

sugiro também renomear a cidade do Mindelo em Cabo Verde e a Vila de Minde para cidade e vila do mindinho, respectivamente

os mindinhos de todo o mundo farão um cordão humano, perdão, mindinho - falta-me o adjectivo -, mindinho abraçado - falta um glossário de mindinho para escrever - com mindinho até aos antípodas deste planeta terra. mais: declaro como necessário mudar o nome deste calhau do universo de terra para mindinho! seria mais que a justíssima homenagem a um pedaço de carne, tendão e osso tão menosprezado! e a lua seria a lua chamada de mindinho em órbita estacionária desse outro astro renomeado de mindinho. confundir-se-iam os dois pontos astrais pelo nome mas não pela vida e dinâmica que pulula num deles: o povo dos mindinhos felizes, the happy folk!

89|ª`|ª^ª^^

29052006 

Hoje decidi escrever em catadupa, em catarse de fim de tarde: estou em Lisboa, neste preciso momento sem ninguém com quem estar, pontualmente sem nada para fazer e, numa pausa merecida e forçada no mundial da alemanha - sem jogos para assistir. Assim, me assiste a vontade de escrever umas linhas sobre alguns temas da actualidade que me têm comido a moleirinha, e, como gosto de escrever sobre assuntos actuais... Now, with no further ado.

1 sobre Timor Lorosae
2 Mundial

1 sobre Timor Lorosae

Já andava há uns tempos para debitar uns pensamentos sobre o “nosso” Timor Leste mas esperei até agora para ver até onde a situação ia, se recrudescia a violência no território ou se passava (se amainava) a tempestade e os humores. Como veio a bonança fiquei tranquilo, mas se depois da intempérie chega a calmaria também depois desta é de esperar o retorno da borrasca.

Foi o que aconteceu com as declarações de Mari Alkatiri depois da sua forçada demissão e do ajuntamento de uma multidão de 15 mil pessoas (números da 2:; a SIC falava em 10 mil) para o apoiar, o que fazia prever mais violência assim que este grupo entrasse na capital. Ainda não vi as notícias hoje por isso não sei o que aconteceu entretanto, se a multidão desmobilizou, ou pelo contrário, e isto é o que temo que venha a acontecer, os partidários do ex-primeiro ministro entraram em díli e prosseguiram com a táctica da guerrilha e da terra queimada.

Há sempre questões que ficam penduradas em situações tão complexas como a que se vive agora em timor e as quais parece que ninguém se digna a responder, divagando por fait divers. Há umas quantas que ficaram a vogar no éter da minha incredulidade e que gostava que fossem respondidas para repousarem a minha ignorância e insatisfação.

São estas questões que me atormentam:

Como pode Xanana chantagear, na impossibilidade legislativa de o demitir, o primeiro ministro de um país que é ainda uma democracia ameaçada e que precisa, acima de tudo, de estabilidade política, baseado numa notícia saída num jornal australiano?

Foi essa reportagem fidedigna e essas acusações comprovadas?

Qual o interesse australiano em Timor e qual a verdade dentro do rumor de participação activa do governo australiano no levantamento militar?

Como permitiu o governo timorense a entrada das forças militares australianas dentro do espaço soberano nacional quando o ideal seria uma task force policial militarizada coordenada pela onu (como de resto, se constituiu a intervenção portuguesa, com os paramilitares do GOE)?

E porquê esta rápida movimentação militar australiana, indicando que já saberiam de antemão o despontar deste pseudo coup de êtat?

Respondam por favor.

2 Mundial

É histórica a participação portuguesa neste Mundial! É a segunda vez que estamos neste patamar de qualidade futebolística e entre as quatro melhores selecções do mundo. Das caminhadas gloriosas mas não vitoriosas de 66, de 84, de 2000 e de 2004 e pela menor distância entre estas 2 últimas (intercaladas pelo desastre de 2002) perfilam-se vitórias firmadas nos próximos tempos – e a isto se chama evolução – e juntando títulos mundiais e europeus de séniores aos dois títulos de esperanças. 

Vejo neste momento o desenrolar do jogo entre Portugal e França (um dos nossos carrascos) e espero que vençamos para tornar 2006 o ano da vitórias autênticas de Portugal.

20060705

/()())(/()=()=

VAMOS LÁ PÔR BOLAS (PONTOS) NOS IS 

e isto a propósito das picardias entre os lusos e os brasucas na net relacionadas com futebol e que soltaram questões antigas

o maior erro que se pode fazer quando se comentam outros povos é generalizar. existe uma minoria portuguesa que odeia brasileiros (e quaisquer outros povos) e há brasileiros que odeiam portugal por motivos históricos.

mais que conheço as banais anedotas sobre os portugas e sei-as regulares no brasil, mas em portugal existem outras tantas a malhar nos brasucas! há, sobretudo, que ter humor.

que estes sentimentos (de jocosidade generalizada, de ódio por parte de uma minoria) definam o pensar de um povo está absolutamente errado, como é erróneo também pensar que por sermos apodados de povos irmãos, devemos ser devedores da mais pura e franca gratidão (da parte brasileira) e da mais justa e fraterna subserviência (da parte portuguesa). 

eu prefiro pensar que todos os povos do mundo são nossos irmãos, em que os brasileiros se afiguram como um irmão mais próximo - mais novo mas mais possante e mais íntimo e amado - mas isso não é garante de que, quando necessário, puxe mais pelo meu país do que pelo brasil. e não existe sensibilidade entre (países) irmãos no que concerne ainteresses económicos, bélicos, comerciais e estratégicos.

tenho orgulho de que o brasil fale português (e os seus 180 milhões de habitantes tornam a nossa língua a 6ª do mundo) e tenha profundos laços históricos com portugal - dele veio e dele descendem ainda muitos dos brasileiros actuais. considero o brasil uma das potências mundiais porvir. 

tanto me orgulho do brasil de hoje como me envergonho grandemente das falhas do passado, das perseguições aos povos ameríndios, do desbaste da riqueza brasileira, das inconsequentes imposições evangélicas e das destruidoras incursões dos bandeirantes. 

não é possível eliminar a história que foi mal escrita, mas a história de agora e a que virá, está a ser escrita neste preciso momento e cabe-nos a nós redimirmo-nos de erros antigos. esqueçamo-nos, então, dos ódios ridículos.

eu amo o brasil e venero portugal. eu amo o futebol brasileiro e considero-o genial. eu sigo o futebol português avidamente e considero-o uma promessa. e portugal deve muito a todos os brasileiros que cá jogaram e jogam e treinam, pois nos fizeram evoluir - com isto expresso toda a minha gratidão. mas é redutor afirmar que é a scolari, assim como a otto glória no seu tempo, que se deve exclusivamente a caminhada vitoriosa de portugal. 

deve-se é a um conjunto de factores que se juntaram às sublimes capacidades de chefia destes dois técnicos: 

um grupo de jogadores experientes, capazes, lutadores e ambiciosos 
uma caminhada de vitórias anteriores a cada um dos campeonatos

neste mundial de agora juntaram-se as últimas glórias da "geração de ouro" com novas promessas que cresceram a ver esses jogar e o grupo vem na esteira de outros que estiveram nas meias finais do europeu de 1984, que ficaram em terceiro no europeu de 2000 e em segundo no europeude 2004 e que ganharam dois títulos mundiais de esperanças

aos portugas inflamados digo:

os brasileiros não são arrogantes na generalidade, são expansivos e extrovertidos e ainda bem
a selecção canarinha não é mais nem menos beneficiada nas competições do que outras 
5 títulos no campeonato demonstram a sua craveira de genialidade desportiva

este campeonato não demonstrou o que a equipa brasileira consegue fazer, mas todas as equipas têm um momento não

aos brasucas inflamados digo:

portugal não tem títulos maiores porque ainda está em crescimento no futebol, mas parece estar a caminhar bem
a selecção tem algumas glórias (3º lugar no mundial de 66 e pelo menos o quarto no de 2006, 2 terceiros lugares e um segundo no europeu) também 
em clubes portugal tem diversos triunfos (4 títulos europeus, 1 taça uefa, 1 taça das taças, 1 supertaça europeia, 1 taça intercontinental)
os brasileiros não são maltratados em portugal pela maioria dos portugueses, o que se passa é que existe uma minoria de anormais que atacam todos os estrangeiros

abraços portugueses aos brasileiros meus bons amigos

20060627

=?)(DDDD

FUTEBOL 1 

Não tenho postado nada no blog porque tenho dedicado completamente o meu tempo livre ao percurso estonteante de Portugal no Mundial da Alemanha de 2006. Sim, porque eu amo futebol, sou apaixonado pela Académica, venero a selecção e cresci a sofrer verdadeiramente com as nossas vitórias e nossas derrotas dentro das quatro linhas (antes estas em maior número que as outras, mas agora aquelas estão em crescendo – estamos para já em 7º no ranking da FIFA com perspectivas de subir e alcançámos pelo somatório das vitórias na Alemanha o 19º lugar das participações em mundiais, trepando 7 lugares).

Nasci português e cresci com os olhos na bola guiada por jogadores vestidos de vermelho velho e verde vivo. Nascesse brasileiro e seria incondicionalmente canarinho e em vez de ter crescido com a bola toda adentro dos olhos e pregada ao coração teria nascido já com ela no berço a balançar ou com ela como apêndice dependurada dos pés, sujeita e presa ao corpo que a embala por um invisível cordão mais que umbilical. Os brasileiros são os deuses do futebol do Olimpo terreno, só eles fazem vibrar plenamente todos os amantes do desporto rei, rainha, imperador e imperatriz (o único verdadeiramente mundial) com as suas façanhas de bola peléguiada passíveis de fazer acreditar que o jogo é extraordinariamente simples e puro! O futebol praticado pelos melhores futebolistas brasileiros e não o futebol brasileiro (há que demarcar a diferença) é intuitivo e fenomenal e onde quer que eles estejam eu os apoiarei, exceptuando, claro está, quando jogam com Portugal.

Se os brasileiros são os deuses, nós tugas, somos os santos adeptos que seguram a bandeira com sofreguidão tal que quase a rasgam em desespero por este novo sebastianismo que espera por novas e frescas vitórias guerreiras, mas agora dentro das regras do esperado desportivismo. Nós levamos ao extremo o significado da cor mais fria desse nosso símbolo que se desfralda e a outra cor não interessa nomear pois já secou e estancou e não se pretende recuperada.

Apontamentos estatistico-futebolísticos (outra das minhas paixões):

Alemanha 2006 é o quarto mundial em que Portugal participa. Os outros foram 1966, 1986 e 2002.

É interessante reparar neste retorno cíclico de vinte em vinte anos sendo a presença na Coreia-Japão a ovelha ronhosa da tendência (e assim o é/foi duplamente).

Em 2002 nem as santinhas do Oliveirinha nos valeram. Em 1986 fomos o Togo do México.

Em 1966 fomos às meias mas então não houve oitavos, pelo que neste mundial quase que igualámos a caminhada dos magriços contemporâneos – falta uma vitória para igualar a posição (meias finais) e o número de vitórias (5). A última vitória de 66 foi pelo 3º lugar contra a Rússia do soberbo Yashin.

E também em 66 ganhámos ao Brasil por 3-1 na nossa única confrontação em fases finais de mundiais e caímos apenas perante a confiante e caseira Inglaterra dos Charlton, os tais herdeiros dos anglos e dos saxões que iremos novamente defrontar 40 anos depois de 66 e 20 depois de 86 – aqui com vitória, pelo que estamos igualados nos resultados. 

Em conclusão

Vou continuar a apoiar fervorosamente a selecção e vou sofrer como todos no próximo sábado. Se não ganharmos que ganhe a Espanha que pratica um futebol de semideuses a meio caminho entre Portugal e Brasil e se não ganharem os apelidados de nuestros hermanos que ganhe então o escrete do nomeado povo irmão.