20091210

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REUNIÕES



Reuniões… algum tempo deixado de parte esperando que o desenhasse e pessoas… pessoas falando e assumindo poses, abrindo a boca e gesticulando. É um palco e uma força de expressões que pedem mesmo que as fixe em esboço. Divaga a mão sobre o papel enquanto se prende a mente no que é comentado. Reuniões. E é reciclar o reciclado em linhas de café. Reuniões decisões alinhavadas em linhas de café. 

Imagens - 1ª, 2ª e 4ª - esquissos a caneta, de várias reuniões; 3ª - V. em conversa com café de vão de escada na LX Factory, traços a manchas de café e migalhas

20091006

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APONTAMENTO de Outubro

Eu não sou este – mas interpreto. Desfaço-me de folhas em sucessão onde a ideia dificilmente se brota – seria talvez melhor se fora um escritor de bloqueio do que um em bloqueio. Bloqueado estaria e em vez de preencher a folha de caracteres somando ideias preencheria o chão de folhas vazias ou gatafunhadas em treta. 

Ideias chave para utilizar depois: escritor de escrita bloqueada – autobiografia do escritor em bloqueio – cadavre exquis intermitente.

20090928

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BAIRRO ZINE 0.4
carta desd'o bairro
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(1) O BAIRRO JÁ ERA - triangulação espontânea
(2) SISTEMATIZAR FOMES - rumo ensaio

(1) O BAIRRO JÁ ERA - triangulação espontânea

Tento manter isto curto - tento ser rápido e manter isto limpo - sistematizar, ser lacónico, sintético, metódico, imediato. Sem ladainhas, sem confusões, aparelhos, figuras de estilo, rápido. Nada de pausas, deambulações, artifícios, artefícios, peregrinações pela palavra ou atavios de conceito, solto, simples, clean, sem dissertar, sem me perder e vos perder no processo. Sem intróito, nem outras perdidas, sem desvios, atavios, desafios, directo portanto. Breve, sem demasiadas palavras, sem prolixidade, objectivo, conciso, preciso, sem excesso de palavras. Sem ser inútil e cansativo, nem fastidioso, nada. Escrito automático, solto. Espontâneo.

Saí do bairro, o bairro já era, mas se digo ainda que estou no bairro é porque o bairro é outro que não o Bairro, mas outro bairro qualquer bastante e também bairrista - e talvez ainda mais bairrista do que o outro bairro, o tal Bairro. Mas eu continuarei a responder sempre à pergunta que me dedicam, de onde vens, onde vives, com um mecânico: «do Bairro».

Serão os detalhes geográficos tão necessários para que nos saibam?

(2) SISTEMATIZAR FOMES - rumo ensaio

Ler. Comer. Dormir. Sexo. A curiosidade matou o homem e fê-lo querer mais e crer mais também. Porque grafamos homem se ao dizê-lo englobamos também a mulher? Ensaio linhas de livros por encadernar. Escreverei prefácios - só. Serei um eterno escritor de livros em construção. Operário em construção? Sempre - de linhas. E o conceito? Terá sempre que ser vencedor - sempre - conceituar conceptualmente rumos ao consumidor. Uma receita de sucesso em publicidade. E o que é a publicidade? É tudo na vida. A publicidade estimula a curiosidade, lês um livro porque o vês e comprarás imediatamente se a capa for atraente. Se surgir por sugestão - essa referência não passa de publicidade encapotada, é o anúncio por terceiros na verdade.

Comes aquilo que saciou o olho, a comida confecciona-se para estimular este em primeiro, a publicidade aqui é ao palato via nervo ocular. Dormir, que engano. Adoraria não precisar, tanta hora perdida para depois retomar o dia e fechar o ciclo dormindo, mas isto em eterno retorno, sempre. O estímulo aqui é cultural - se bocejam ao meu lado, terei que bocejar também e nem o apercebo. Só depois de cumprido o abrir de boca. E sexo? Querem maior exemplo para a intervenção publicitária na errática vida do ser humano? A indumentária é essencial, os humores do corpo delicadamente escondidos sob perfume, o galanteio e o charme camuflados qb em espera de uso providencial, tudo estudado e calculado para a percepção do outro e para o encontro de corpos. É isto, está comprovado. O ser humano não passa de um publicitário. Quem surgiu primeiro então, a publicidade ou o publicitado?

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Paleta de som - Animal Collective > Peacebone  + The Kills > Tape Song

Imagem - Bairro Alto, Lisboa, Agosto de 2009

20090610

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QUE FAREI QUANDO TUDO ARDE?
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Teatrinho de sombras, palco do mundo, bailarinos sobre um soco de Lobo Antunes e rodeado de piras de cera, dança Matisse desde um grupo dobrado a metal. A sombra que resulta é dos seus corpos em movimento. O lobo e as luzes.

Local - Casa de Santa Catarina, Lisboa

20090506

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CHIMONIZ

Aos entrelinhados nos lostes em translations...

Sou um regular do Martim Moniz. Não fico preso em nenhuma porta e rondo pela Mouraria, o nome mais apropriado que encontro nos nomes de Lisboa para a população que ali perambula. O que me menos me agrada é ser incompreendido e sentir o olhar de desaprovação ou de desconfiança. 

Mas nunca deixarei de gostar deste bairro de Lisboa.

Talvez seja necessário levar escrito, apontado em glossário, meia dúzia de linhas apenas:

1 Como dizer determinadas coisas em chinês, para o pragmatismo de certas trocas comerciais;

2 Glossário em romeno ou romani, simplificado, frases de enxota ou de deixa-me estar;

3 Dicionários e guias para a Pakistona, a Chinaria e o Chimoniz.

Estarei achado.